Por que a América Latina deveria investir mais em P&D?

A América Latina tem uma questão pendente com investimentos em P&D. Sem esse investimento, o crescimento econômico estagna e os benefícios marginais diminuem. Para continuar crescendo e convergindo com as economias avançadas, deve investir mais em pesquisa e desenvolvimento.

Em relação ao crescimento econômico, há muitos aspectos que influenciam. Normalmente, referências importantes são feitas ao Estado, ao arcabouço legal e ao sistema econômico. No entanto, um dos pontos mais importantes para um sólido crescimento econômico é o investimento em P&D. É verdade que o arcabouço jurídico em que um país opera pode complicar ou facilitar o investimento em P&D, mas é mais uma questão de cultura empresarial.

É mais uma questão de cultura, dizemos, porque o empresário quase sempre tem a opção de investir em P&D. Investir em P&D não significa necessariamente dedicar grande parte do orçamento à pesquisa. Não, não tem nada a ver com isso. Pesquisa e desenvolvimento (P&D) tem a ver com tudo que nos permite ser mais eficientes, mais produtivos, ter produtos cada vez melhores e com maior valor agregado.

Quando a economia está se expandindo, muitos empresários preferem contratar mão de obra barata para gerar lucros maiores. Alguns benefícios que reinvestem em mais mão de obra para que o negócio continue crescendo. Isso não é ruim, mas obviamente, quando o ciclo econômico muda de direção, esse tipo de negócio pode ser relegado a cortes significativos de pessoal.

Investir em P&D para um crescimento mais forte

Até agora falamos de empresas, porque não esqueçamos, as empresas são a peça fundamental para que a economia funcione. Se o tecido empresarial de um país funciona bem, é mais provável que a economia funcione bem.

Pensando nisso, para ter um crescimento mais sólido e que não dependa tanto do ciclo econômico, as empresas, nas fases de expansão, também devem investir em P&D. O que muitas vezes não é feito porque os resultados não são vistos no curto prazo. Ao investir em P&D quando a fase do ciclo de negócios muda, as empresas são mais competitivas, mais eficientes e podem ganhar menos dinheiro, mas têm menos probabilidade de serem forçadas a fazer grandes reestruturações.

Despesas de P&D em países da América Latina

Os dados mais recentes disponíveis para a maioria dos países latino-americanos são fornecidos pelo Banco Mundial. No gráfico que mostramos abaixo, vemos uma importante falta de investimento em P&D:

O gráfico acima não mostra resultados muito bons. A maioria dos países está abaixo de 0,6% do PIB. Apesar disso, é surpreendente que a média da América Latina esteja em 0,8% do PIB.

Esta última informação é enganosa. O dado que mostra, em média, a América Latina se deve aos maiores dados do Brasil. No entanto, a realidade é que os países individualmente investem muito pouco em P&D. Para se ter uma ideia do peso do Brasil, o PIB do Brasil em PPC equivale ao da Argentina, Costa Rica, Equador, Porto Rico, Chile, Uruguai, Colômbia, Venezuela, Paraguai, Nicarágua, Guatemala e Honduras juntos.

No gráfico, devemos também atentar para as diferenças importantes que existem entre economias com diferentes desenvolvimentos. O nível de desenvolvimento (levando em consideração o PIB per capita em PPC) do Peru é muito superior ao da Nicarágua e, no entanto, eles investem valores semelhantes em relação ao seu PIB. O mesmo ocorre com Equador e Costa Rica, em comparação com Uruguai e Chile. Isso efetivamente nos faz pensar que o investimento em P&D, como indicamos no início, é mais uma questão de cultura corporativa do que de desenvolvimento econômico. Isso, sem dúvida, deve mudar.

Concluindo, ou os países latino-americanos investem mais em P&D ou aos poucos verão seu potencial de crescimento diminuir. Assim, a convergência com os países mais avançados está potencialmente ameaçada.

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